# 40 - Variações de António: Paulo.





Diz-me que solidão é essa 
Que te põe a falar sozinho
Diz-me que conversa 
Estás a ter contigo 

Diz-me que desprezo é esse
Que não olhas para quem quer que seja 
Ou pensas que não existes 
Ninguém que te veja 

Que viagem é essa 

Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos 

  Lá vai o maluco 
Lá vai o demente 
Lá vai ele a passar 
Assim te chama toda essa gente
 
Mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar

Diz-me que loucura é essa 
Que te veste de fantasia 
Diz-me que te liberta 
Da vida vazia 

Diz-me que distância é essa 
Que levas no teu olhar 
Que ânsia e que pressa 
Tu queres alcançar 

Que viagem é essa 
Que te diriges em todos os sentidos 
Andas em busca dos sonhos perdidos 

 Lá vai o maluco 
Lá vai o demente 
Lá vai ele a passar 
 Assim te chama toda essa gente 

Mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
Mas eu estou sempre ausente e não conseguem alcançar 
Não conseguem alcançar
Fragmentos de «uma autobiogradia sem factos». De Bernardo Soares. Mas também de outros.
Dia sim, dia não. Dia sim, dia sim. Dia não, dia não. Quando eu quiser.
Este é o momento para o cigarro que não fumo.
Inspirar [fundo], expirar [calmamente].
Ouvir, em vez dos pássaros, o som ordenado das pautas escritas com os punhos dos Homens.
Qualquer relação entre texto e música poderá ser mera coincidência (ou não).




Disclaimer 1: Este espaço serve ao autor para uma "releitura" de trechos de textos literários ao som de peças musicais, numa conexão que poderá parecer não ter sentido para o leitor. Uma explicação poderá ser encontrada após o contacto com o animador do blog. Ou não.

Disclaimer 2: Os textos, registos sonoros e audiovisuais aqui utilizados pertencem exclusivamente aos seus autores originais.

Disclaimer 3: A imagem que ilustra o topo desta página pertence ao magnífico trabalho de Manuel Casimiro.