# 16 - Se fosse fácil era para os outros







«Toquei o chão do poço
amor
e tenciono chapinhar sem horário
como um pardal distraído no repuxo do parque
Ficas avisada
por trezentos anos-luz
vezes o tempo médio
do primeiro beijo de verão
Vou bater os pés na água
e os meus ombros novos de cortiça
não vão parar de rir
quando o peso roxo da pedra
que sopraste me virar do avesso
direito ao fundo dos céus
Não parto as unhas na parede do poço
Começo a apreciar
esta grave situação
Aqui há musgo-mel
e muita vitamina
O bando de pássaros
que brinca no muro
avisa-me do raio de sol vertical
entre o meio-dia e a uma
Se algum dia sentir fome
amor
convenço o pássaro mais gordo
Que o queres ver voar
às águas doces do fundo»
Fragmentos de «uma autobiogradia sem factos». De Bernardo Soares. Mas também de outros.
Dia sim, dia não. Dia sim, dia sim. Dia não, dia não. Quando eu quiser.
Este é o momento para o cigarro que não fumo.
Inspirar [fundo], expirar [calmamente].
Ouvir, em vez dos pássaros, o som ordenado das pautas escritas com os punhos dos Homens.
Qualquer relação entre texto e música poderá ser mera coincidência (ou não).




Disclaimer 1: Este espaço serve ao autor para uma "releitura" de trechos de textos literários ao som de peças musicais, numa conexão que poderá parecer não ter sentido para o leitor. Uma explicação poderá ser encontrada após o contacto com o animador do blog. Ou não.

Disclaimer 2: Os textos, registos sonoros e audiovisuais aqui utilizados pertencem exclusivamente aos seus autores originais.

Disclaimer 3: A imagem que ilustra o topo desta página pertence ao magnífico trabalho de Manuel Casimiro.