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# 82 - A morte nunca existiu



"...aqueles que faleceram na alegria e na esperança ninguém os chora, e o seu cortejo fúnebre é acompanhado de cânticos recomendando a sua alma a Deus. De seguida, o seu corpo é queimado com respeito, mas sem lamentos, e ergue-se no local uma estrela onde estão gravados os títulos do defunto, De regresso a casa, lembram as suas ações e os traços do seu carácter, insistindo, entre os episódios da sua vida, na serenidade com que morreu. Esta comemoração de uma conduta virtuosa é para os vivos a mais eficaz exortações ao bem e a melhor homenagem que se pode prestar aos mortos. Estes estão presentes quando deles se fala, invisíveis apenas ao olhar pouco penetrante dos mortais. Os Bem-aventurados não se privariam do poder de se ransportarem onde querem, e cometeriam falta de ingratidao se não desejassem rever aqueles que lhes estiveram ligados na terra pela ternura e pelo amor mútuos, sentimentos que, pensam eles, devem subsistir após a morte, entre as pessoas de bem, num grau acrescido, não diminuído. Vêem assim os mortos a circular por entre os vivos, testemunhas dos seus actos e das suas palavras. Esta fé na presença tutelar dos mortos inspira-lhes mais confiança nos seus empreendimentos e desvia-os de fazer o mal em segredo."

# 65 - À procura de várias revoluções, com fé em realizar (algumas) utopias




"Avaliamos tudo em dinheiro, o que nos leva a praticar uma quantidade de ofícios totalmente inúteis e supérfluos, que mais não são que serviço do luxo e do prazer. Esta multidão dos operários de hoje, se estivesse repartida pelos sectores que utilizam verdadeiramente os produtos da Natureza para o bem de todos, criaria tais excedentes que o abaixamento dos preços impediria os operários de ganhar a vida. Afectem-se a trabalhos úteis todos aqueles que não produzem senão objectos supérfluos e, além deles, toda essa massa que se entorpece com a ociosidade e na mandriice, gente que esbanja todos os dias, do trabalho dos outros, o dobro do que aqueles que produzem e consomem, e logo vereis quão pouco tempo é necessário para produzir na quantidade necessária as coisas indispensáveis ou apenas úteis, desde que este seja são e natural".
Fragmentos de «uma autobiogradia sem factos». De Bernardo Soares. Mas também de outros.
Dia sim, dia não. Dia sim, dia sim. Dia não, dia não. Quando eu quiser.
Este é o momento para o cigarro que não fumo.
Inspirar [fundo], expirar [calmamente].
Ouvir, em vez dos pássaros, o som ordenado das pautas escritas com os punhos dos Homens.
Qualquer relação entre texto e música poderá ser mera coincidência (ou não).




Disclaimer 1: Este espaço serve ao autor para uma "releitura" de trechos de textos literários ao som de peças musicais, numa conexão que poderá parecer não ter sentido para o leitor. Uma explicação poderá ser encontrada após o contacto com o animador do blog. Ou não.

Disclaimer 2: Os textos, registos sonoros e audiovisuais aqui utilizados pertencem exclusivamente aos seus autores originais.

Disclaimer 3: A imagem que ilustra o topo desta página pertence ao magnífico trabalho de Manuel Casimiro.