"(...) Uma rapariga muito bonita, tratada com um desvelo constante e atenções demedidas pelo conjunto da população masculina, incluindo aqueles - a imensa maioria - que não têm esperança nenhuma de obter favores de ordem sexual, e verdade seja dita, muito particularmente por eles, com uma emulação abjecta, confinando certos cinquentões ao gatismo puro e simples, uma rapariga bonita diante da qual todos os rostos se alegram, todas as dificuldades se resolvem, recebida em todo o lado como se fosse a rainha do mundo, torna-se naturalmente uma espécie de monstro de egoísmo e de vaidade auto-satisfatória. A beleza física desempenha aqui exatamente o mesmo papel que a nobreza de sangue no Antigo Regime, e a breve consciência, que começam a ter na adolescência, sobre a origem puramente acidental da sua posição, dá rapidamente lugar a uma sensação de superioridade inata, natural, instintiva, na maior parte das raparigas muito bonitas, que as pões completamente à parte, e claramente acima do resto da humanidade. Uma vez que todos, em redor da rapariga bonita, têm por único objectivo evitar-lhe todos os desgostos, e satisfazer o mais pequeno dos seus desejos, torna-se evidente que ela acaba por considerar o resto do mundo composto apenas por servidores, tendo ela por única tarefa conservar o seu próprio valor erótico - na expactativa de encontrar um jovem digno de receber a sua estima. (...)"
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# 43 - A (im)possibilidade de uma ilha
E o mar que me sufoca, e a areia,
A procissão dos instantes que se sucedem
Como aves que pairam docemente sobre Nova Iorque,
Como grandes aves de voo inexorável.
Vamos! Chegou o momento de quebrar a concha
E de ir ao encontro do mar contilante
Por novos caminhos que os nossos passos conhecem
Que seguiremos juntos, hesitantes de fraqueza.
# 30 - [Retomar] O paraíso na outra esquina
"Em breve, é isto mesmo que vos acontecerá, crianças inconsequentes. Serão como deuses - e nem isso será suficiente. Os vossos clones não terão umbigo, mas terão uma literatura umbiguista. Vocês também serão umbiguistas; serão mortais. O vosso umbigo cobrir-se-á de sugidade, e estará tudo dito. Será deitada terra sobre o vosso rosto."
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Fragmentos de «uma autobiogradia sem factos». De Bernardo Soares. Mas também de outros.
Dia sim, dia não. Dia sim, dia sim. Dia não, dia não. Quando eu quiser.
Este é o momento para o cigarro que não fumo.
Inspirar [fundo], expirar [calmamente].
Ouvir, em vez dos pássaros, o som ordenado das pautas escritas com os punhos dos Homens.
Qualquer relação entre texto e música poderá ser mera coincidência (ou não).
Dia sim, dia não. Dia sim, dia sim. Dia não, dia não. Quando eu quiser.
Este é o momento para o cigarro que não fumo.
Inspirar [fundo], expirar [calmamente].
Ouvir, em vez dos pássaros, o som ordenado das pautas escritas com os punhos dos Homens.
Qualquer relação entre texto e música poderá ser mera coincidência (ou não).
Disclaimer 1: Este espaço serve ao autor para uma "releitura" de trechos de textos literários ao som de peças musicais, numa conexão que poderá parecer não ter sentido para o leitor. Uma explicação poderá ser encontrada após o contacto com o animador do blog. Ou não.
Disclaimer 2: Os textos, registos sonoros e audiovisuais aqui utilizados pertencem exclusivamente aos seus autores originais.
Disclaimer 3: A imagem que ilustra o topo desta página pertence ao magnífico trabalho de Manuel Casimiro.